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domingo, 27 de agosto de 2017

O mundo da imaginação

A leitura infantil transforma os peques em futuros formadores de opinião


A frase do saudoso escritor e educador Rubem Alves talvez seja a melhor descrição sobre a importância da literatura na infância: "um livro é um brinquedo feito com letras". Quando os pais observam e absorvem que a leitura pode ser uma grande brincadeira, ela torna-se a agregadora, sem o peso de transformar-se em obrigação. Ao simples toque do seu leitor, o livro libera sua voz e dá "asas" à imaginação. De mudo, ele não tem nada. E, aos poucos, ao folhear as páginas, as histórias, armazenadas em uma caixa de "faz de contas", vão senoo desvendadas. Segundo especialistas, esse mundo encantador deve ser revelado para as crianças na mais tenra idade. A leitura auxilia os menores a lidar com as emoções, na alfabetização, na ampliação do vocabulário, fortalece o vínculo familiar, contribui para construir sua personalidade, desperta a imaginação, traz conhecimento e cultura.

Leitores mirins

"Os pais devem apresentar a seus filhos os livros desde os primeiros meses de vida", enfatiza a pedagoga Elaine Cristina dos Santos Silva, pós-graduada em gestão escolar, coordenação e supervisão. Atualmente, há uma infinidade de títulos para as crianças se divertirem e aprenderem de forma lúdica: dos livros-brinquedo, que emitem sons, até aqueles com textura, figuras e que podem ser molhados e levados no momento do banho da criança. "Eles ainda ajudam no processo da alfabetização e na identificação de símbolos e letras." Segundo ela, apesar de a tecnologia estar muito presente nos dias atuais, não substitui o encantamento pelos livros impressos. "É possível ver os olhinhos das crianças brilhando ao manusear as páginas coloridas de histórias cheias de magia, reis, rainhas, príncipes, princesas, heróis, vilões, lugares secretos e terras distantes

Tudo começa em família

Os filhos espelham-se pelos hábitos dos pais. Se os tutores são leitores assíduos, já "plantaram a sementinha" do saber na cabeça dos pequenos, que vão querer copiá-los. "O encantamento pela leitura surgirá se a criança tiver um ambiente propício, onde se depara com adultos leitores", exemplifica a pedagoga. Para ela, as crianças precisam ter acesso fácil a diferentes tipos de materiais para leitura como livros, gibis, revistas e até jornais, sempre respeitando a faixa etária da criança. Outro fator importante é frequentar bibliotecas ou livrarias. "O costume desperta o desejo da descoberta e atiça a curiosidade", diz ela.


Fanática pelos livros

Hoje em dia, não é mais válida a desculpa de que as crianças não leem porque não têm acesso, devido ao valor do livro ou à falta de opção de encontrar uma literatura infantil.
Kaciane Caroline Marques do Nascimento, de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, é prova disso. Aos 12 anos e de família humilde, a menina já leu mais de 500 títulos entre quatro anos e tem um movimentado canal do YouTube, o "Tanto Faz ou Qualquer Coisa", que aborda séries, tags e desafios.
Ela revela que foi sua professora Maria Cristina, do 2º ano do Ensino Fundamental a grande incentivadora. E, mesmo em plena era digital, ela não abre mão de uma boa história nos livros impressos. "Não existe uma fórmula para gostar de ler, mas é preciso escolher os títulos, de acordo com o gênero que mais gosta", acredita. Para ela, o ideal é começar com obras curtas e evoluir, aos poucos, para aquelas que contêm mais páginas.
A admiração pela leitura fez com que a estudante conseguisse, com a ajuda de empresários e populares, inaugurar uma pequena biblioteca nos fundos da sua casa, em um bairro simples da periferia da cidade. "A biblioteca já possui mais de 5 mil títulos que são emprestados a outras crianças e também a adultos", conta. O Colégio London, tradicional na cidade, foi responsável pela montagem do espaço. E os livros, doados pela população da cidade e da região. "A instituição também me concedeu uma bolsa de estudos", revela, orgulhosa.
Hoje em dia, a menina considera-se feliz por atingir seus principais objetivos e também seus sonhos: recentemente publicou seu livro "Tanto faz ou Qualquer Coisa", pela HN Editora. E seus passos no mundo das letras está apenas começando.

Fonte: Texto de Renata Girodo

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Um presente especial para a Biblioteca

Como fechamento de nosso ano tivemos uma doação muito especial em nossa biblioteca. E o mais legal é que ela veio até nós (com muito carinho), direto de Portugal!!! 

Estamos falando do livro infantil “Joquinha na nuvem da Mafalda” escrito pela são-carlense Anne Caroline Soares. 

Nós da Biblioteca expressamos nossa gratidão pelo gesto da autora! Temos certeza que nossos pequenos leitores vão adorar o presente também!

Vale lembrar que o livro já se encontra disponível para empréstimo aqui na Biblioteca!

Conheça a história 
Nesta aventura, o Joquinha será levado até ás nuvens numa bolinha de sabão e lá conhecerá a menina Mafalda e outros fantásticos personagens que enfatizam os valores da amizade, da solidariedade e do respeito.

Conheça a autora
Anne Caroline Soares nasceu em São Carlos - SP. Mudou com os pais e dois irmãos para Portugal quando tinha 14 anos. Formou-se em Comunicação na Escola Superior de Educação de Coimbra. Realiza a hora do conto para crianças e lança agora seu segundo livro infantil “Joquinha na Cidade de Miau”.



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A importância dos Contos Clássicos para as crianças



Este texto tem o intuito de discorrer, brevemente, sobre a importância dos contos clássicos no desenvolvimento infantil. Este tipo de literatura tem encontrado, muitas vezes, uma barreira dentro da própria escola, tendo seu conteúdo alterado, modificado, ou mesmo relegado a segundo plano pela crença equivocada de que seja psiquicamente prejudicial para as crianças. Uma dúvida que se coloca na escola é quanto ao temor de alguns pais ou responsáveis sentirem-se ameaçados pela história que apresenta um dos genitores como mau, e se teme que a criança possa voltar-se contra o mesmo em casa. Como professora de educação infantil, tive a experiência de ouvir a mãe pedindo para não contar histórias que houvessem madrastas porque isto poderia fazer com que a filha ficasse com raiva dela.
Nada mais equivocado, uma vez que lidando com a questão dos conflitos colocados no conto, a criança fica mais apta a lidar com os seus próprios, pela compreensão de que se ela tem, às vezes, um sentimento não muito amistoso em relação aos pais, isto não faz dela um monstro.
Segundo o psicólogo infantil Bruno Bettelheim (1), ao contrário do que muitos pensam, o conto de fadas direciona a agressividade de modo mais saudável, porque permite a criança averiguar que os sentimentos de raiva, vingança, medo, existem para todos e não só para ela, que muitas vezes, se sente mal por percebê-los dentro de si. Segundo o autor, os contos clássicos levam muito a sério os dilemas existenciais e se dirige diretamente a eles; como a necessidade de ser amado, o medo de ser considerado sem valor, o amor pela vida e o medo da morte.
É bastante comum, pessoas que trabalham com a criança e não somente os pais, sentirem um certo receio de contarem estas historias alegando que sejam de conteúdo muito forte, e que podem causar traumas a ela. O que é preciso entender, é que o conto clássico nada mais é do que a representação psicológica dos medos humanos mais comuns. E ao deixar de contar essas histórias a criança, perde-se a oportunidade de ajudá-la com seus medos e angústias a que, por certo, todas estão sujeitas, uma vez que o mundo circundante não é feito só de beleza e amabilidades. Sendo a criança o ser inteligente que é, percebe isto muito bem e não há porque enganá-la.
Em praticamente todo o conto de fadas, o bem e o mal são corporificados sob a forma de algumas personagens e suas ações, uma vez que o bem e o mal fazem parte da vida de todo ser humano se vê propenso para ambos. Essa dualidade traz a tona o problema moral que requer a luta para resolvê-lo. As personagens dos contos de fadas são ambivalentes, ou seja, ao mesmo tempo boas e más, como são os seres humanos em realidade: nesse caso, elas são do bem, determinadas pelo bem, ou mal e essa polarização é o que permite a criança compreender a diferença entre ambas, uma vez que quando ela se coloca do lado dos heróis, ou do bem, ela está na realidade escolhendo aquilo que desperta sua simpatia, não necessariamente pelas suas qualidades. Aqui o problema que é colocado é o de com quem ela quer parecer e isto é decidido com base na sua projeção entusiástica, numa personagem. Quanto mais simples e direta a personagem boa, tanto mais fácil para a criança identificar-se a ela e rejeitar a má. Como diz Bettelheim justamente porque a vida é com frequência desconcertante para a criança, ela necessita mais ainda que lhe seja dada a oportunidade de entender a si própria nesse mundo complexo com o qual deve aprender a lidar.

Bibliografia

(1) BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. São Paulo: Paz e Terra, 2007.

Fonte: Texto de Eliane de Oliveira Martins Gonçalves (Professora de educação infantil,  Gestora comunitária de educação pela Prefeitura Municipal de São Carlos)
www.mundoescolar3.blogspot.com