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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Contar histórias na escola

Ouvir histórias, desde os tempos mais remotos, leva as pessoas a se nutrirem de imaginação e fantasia, alimentos que parecem invisíveis e pouco importantes na vida cotidiana, mas que estão intrinsicamente presentes em cada pessoa durante o seu dia.

Da vida para a escola, esse microcosmo social, o contar histórias tem sido utilizado como estratégia pedagógica para formar leitores no meio escolar. Mediada pelo professor ou pelo bibliotecário escolar, a história contada ou lida diretamente do livro estimula a fantasia infantil e essa é uma das maneiras de a criança elaborar o mundo a sua volta, principalmente, o mundo que está dentro dela mesma e que ainda não compreende na totalidade.

Nesse caso, a história auxilia o amadurecimento psicológico da criança, ajuda-a na compreensão de suas emoções e, portanto, a lidar melhor com elas e com o meio que a rodeia.

A escola, ainda que existam críticas a respeito da condução da leitura em seu meio, continua a ser uma das principais promotoras da formação de leitores, em larga escala, no Brasil, daí a importância pedagógica de se oferecer Hora do Conto no espaço escolar.

Ao se optar pela Hora do conto na escola como procedimento pedagógico para formar leitor, a escola reflete: por que contar histórias aqui? A resposta a essa pergunta desvela a concepção que a escola tem a respeito de formar leitores. Essa missão, na escola, não é apenas do professor de sala de aula, mas de toda a estrutura escolar, pedagógica e administrativa, que deve corroborar para isso.

No âmbito pedagógico, por exemplo, devem estar em consonância professores e coordenação pedagógica que, por extensão, estão intimamente ligados à direção da escola. Assim, cada setor em sua instância trabalhará em prol da formação de leitores: desde a organização do projeto político escolar, passando pelas intervenções pedagógicas ao espaço destinado à leitura na escola.

Na convivência com a leitura, cabe à escola oportunizar ao seu aluno momentos orientados pelo adulto de forma sistemática e momentos livres em que o aluno busque a leitura espontaneamente, sem a tutela do professor, ou bibliotecário escolar. Aliado a tudo isso, a biblioteca escolar deve ser acessível, com acervo e mediação disponíveis para todos da escola.

A coexistência de atividades programadas, como é o caso da Hora do Conto, e momentos livres é perfeitamente compatível quando se propõe a formar leitor na escola, pois a compreensão disso é fundamental para o êxito da proposta, uma vez que a leitura é algo íntimo, mexe com aspectos psicológicos internos que precisam de tempo ocioso para serem processados.

Portanto, ao almejar que a criança se transforme em leitora, não convém transformar os momentos de encontro com a leitura, em especial na Hora do Conto, num compêndio de atividades para inculcar preceitos morais, regras ortográficas, geográficas e qualquer outra prática escolarizante.

Compreender que as histórias ensinam por si mesmas e que cada criança, de acordo com seu desenvolvimento pessoal, apreende aquilo que pode apreender no momento, pois na infância é o envolvimento da criança com a leitura que trará benefícios e isso se dá sem que ela perceba, pois foi envolvida pela ficção, pela fantasia.

Para estimular a imaginação infantil, a história deve, predominantemente, se instalar na imaginação e no coração da criança, ou seja, razão e emoção, pois é uma mudança interna, demorada, contínua. Assim, trabalhos como desenhos, pinturas, ou redações após a Hora do Conto apresentam uma parte externa e que, nem sempre, é o substancial na formação da criança. O que a história contribui para cada criança não é visível a olho nu, imediatamente, mas contribuirá para seu amadurecimento como pessoa ao longo de sua vida.

Àquele que deseje contar histórias na escola, professor de sala de aula ou professor da biblioteca ou bibliotecário escolar é preciso refletir que:

- você deve ser o primeiro a gostar da história que vai contar. Se a história lhe emocionar, ao contar, também emocionará seus alunos.

- leia a história antes, ao ponto de ter intimidade com ela, com a escrita, de modo que, ao lê-la, seja natural e, portanto, fique agradável e claro para a criança que ouve.

- cada contador tem sua maneira de contar, encontre a sua em cada história que contar. Você deve ser a primeira pessoa a se sentir bem ao contar a história.

- ao iniciar com turmas novas que talvez não tenham a convivência com atividade de Hora do Conto, procure estabelecer uma rotina para a contação de histórias, principalmente nos dois primeiros meses, para que a criança vá compreendendo que tipo de atitude se espera dela nessa atividade pedagógica que vai prepará-la para ouvir, compartilhar opiniões e, principalmente, expor suas opiniões, comentários e ou silêncios.

- antes de começar a história, procure ter um momento em que explore a oralidade dos alunos em direção ao que trará a história, sem revelar o enredo. Assim, tratar de assunto que esteja no universo temático da história que será ouvida, pois essa é uma das maneiras de diminuir a ansiedade da criança, o que, consequentemente, evitará interrupções durante a contação de histórias.

Fonte: Infohome. Coluna Leitura e leitores, Maio 2014. Texto de Rovilson José da Silva. Ilustração de Quentin Blake.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Escritora Célia Luiz apresenta poesias e rimas na Biblioteca Euclides da Cunha



A Prefeitura de São Carlos realiza neste ano, através do SIBI (Sistema Integrado de Bibliotecas) e da Fundação Pró-Memória, a 8ª Edição da Estação Leitura, trazendo muitas novidades.

As escritoras homenageadas na edição deste ano são Ruth Rocha (Nacional) e Célia Luiz (Regional). Nesta terça-feira (9), Célia Luiz esteve na Biblioteca Pública Municipal Euclides da Cunha, na Vila Prado, apresentando e cantando suas poesias e rimas.

A apresentação foi assistida pelas crianças do Cemei Carmelita Rocha Ramalho e da Creche Aracy Leite Pereira Lopes. A turma da professora Maria Munhoz fez um jogral para a escritora, recitando e cantando seus poemas.

Segundo a Bibliotecária, Sônia Pinheiro, da Divisão de Incentivo à Leitura, esta é uma de mais de cem atividades do Circuito Valer, organizado pelo Coletivo Topamos Ler, que é formado por representantes da Prefeitura Municipal, com a Secretaria de Educação, do Sesc, da UFSCar, com o Centro Acadêmico de Letras, o Departamento de Ciência da Informação, a Rádio UFSCar, a Biblioteca e a Editora, de instituições do terceiro setor, como a Ramudá e a Veracidade, em parcerias com o Festival Contato, a Livraria Sideral e o Shopping Iguatemi Acesse o blog para consultar a programação completa.

Além disso, as bibliotecárias da Biblioteca Euclides da Cunha, Fátima Ciapina e Karina Fröner ressaltam que projetos de Incentivo à Leitura como esse, assim como o Romance...aos pedaços e Hoje é Dia de Poesia tem atraído a atenção da população, resultando em maior procura dos livros e autores citados nos projetos.

Sônia lembra ainda que de 18 a 21 de outubro acontecerá, na praça Coronel Salles, das 9h às 19h, a 1ª Feira do Livro de São Carlos "Caminhos da Leitura", com várias atividades culturais e livros a preços populares.

Fonte: Portal Prefeitura Municipal de São Carlos 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Leitura e Baraka

Ler em voz alta é tornar-se um encantador de histórias.

O que é Baraka? E o que é que Baraka tem a ver com encantar histórias?

Baraka é uma bela palavra árabe que significa "um presente de energia espiritual que pode ser usado na vida prática". Imagine uma espécie de eletricidade que energiza quem a recebe. Essa eletricidade pode se formar a partir de uma disposição real para fazer algo útil com muito cuidado, delicadeza e gentileza. É a melhor coisa que se pode criar, receber e transmitir. Com a voz e com o olhar.

 Fonte: Programa Ler é Preciso, do Instituto Ecofuturo

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Contação de Histórias e Teatro na Biblioteca


Uma sessão de Contação de histórias marcou nossa manhã na Biblioteca. A professora Maria Munhoz, da CEMEI Carmelita Rocha Ramalho, contou uma belíssima história sobre um Leão muito vaidoso. Após a contação, as crianças realizaram a apresentação de uma peça teatral baseada na história que ouviram e refletiram, juntamente com a professora, a mensagem que existe por trás do livro: de que devemos gostar de nós como realmente somos. 

A obra utilizada foi Dendeleão, da autora Stella Leonardos.

Vale lembrar que hoje, dia 18 de abril, é comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil.



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Apossar-se de um tesouro

por Ana Maria Machado

"Quando eu nasci, era filha única. Mas isso não durou muito e virei a mais velha de um monte de irmãos. Somos 11. E tínhamos uma quantidade de primos inacreditável: tanto meu pai como minha mãe tinham seis irmãos. Alguns desses tios tiveram uma filharada, o que me deu 14 primos mineiros, 7 gaúchos, muitos fluminenses, outros tantos capixabas. De perder a conta e o fôlego. Principalmente porque nas férias de verão convivíamos pelos mesmos quintais numa praia do Espírito Santo, por onde a família se espalha desde 1916.
É com alegria que a gente vai acompanhando as transformações e vendo como a garotada continua brincando na praia, correndo pelos gramados e subindo pelos galhos de goiabeiras, mas é capaz de ficar horas em torno de games, de tablets nas mãos. Ou de livro nas mãos, um mais velho lendo para os menores, como tantas vezes fizemos ou ouvimos na nossa infância.
Agora (como sempre) os recém-alfabetizados andam dando sua leitura em voz alta de presente aos pequeninos, fascinados com aquela mágica de transformar papel com manchinhas de tinta em histórias que fazem sonhar. Têm à sua disposição um excelente acervo que a literatura infantil brasileira foi construindo ao longo das últimas décadas. Uma variedade de alto nível, com uma riqueza de repertório de que muito poucas culturas podem se gabar em nossos dias.
Ao mesmo tempo, mesmo já lendo, não querem perder a alegria de escutar com atenção uma história lida. Começam a pedir aos pais que lhes contem outras, mais compridas, sem tanta figura para distrair. E vejo os pais deles, meus sobrinhos, em busca do repertório que os deliciava na infância – histórias tradicionais populares como a de Pedro Malasartes ou João Bobo, contos de fadas, a obra de Monteiro Lobato ou Cazuza, de Viriato Correia. Vivem uma experiência emocional gostosíssima, de descobertas conjuntas e encantos compartilhados. Ao mesmo tempo, têm a oportunidade de levantar dúvidas, medos, angústias e tentar aprender a conviver com as inevitáveis zonas de sombra que nos acompanham.
Além de todos esses aspectos positivos no terreno da afetividade, evidentes por si só, observo como esse processo vai construindo neles um embasamento humanista para o futuro, paralelo à aquisição de parte de um legado cultural milenar, que constitui um tesouro das civilizações.



Não vivemos apenas de tecnologia de ponta e modas passageiras. Além da inserção no contemporâneo, precisamos também fincar raízes em uma linha de continuidade e ter a segurança de certa permanência, fixada na cultura da humanidade que vem sendo construída há milênios. Sentir que coisas diferentes têm ritmos diferentes. Umas exigem resposta imediata, quase automática. Outras demandam um tempo de reflexão e entendimento -para amadurecer uma reação. Precisamos de ambas as experiências. Uma alimenta a outra. E nós nos nutrimos de todas.
Vários estudos demonstram que a aquisição desses repertórios na infância contribui enormemente para o desenvolvimento das capacidades próprias e estimula a imaginação tão necessária a cientistas, inventores, artistas e estadistas. Fundamental para sonhadores ou para empreendedores. Na Universidade de Cambridge, por exemplo, a professora Juliet Dusinberre pesquisou as leituras infantis de vários monstros sagrados das letras em língua inglesa no século XX e fez algumas descobertas interessantes.
Entre elas, a de que todos os que revolucionaram essa literatura no Modernismo, com suas experimentações radicais na linguagem ou na maneira de contar histórias (como James Joyce, Virginia -Woolf e -Ernest -Hemingway), -tinham tido intenso convívio, em criança, com a leitura de obras de autores sem condescendência com a facilitação no que escreviam, e sem -preo-cupação em insistir em dar lições.
Ou seja, autores como Lewis Carroll, de Alice, Robert Louis Stevenson, de A Ilha do Tesouro e O Médico e o Monstro, ou Mark Twain, de As Aventuras de Huck.
Autores que não faziam a menor concessão a um linguajar simplificado ou a uma história paternalista de heróis e vilões claramente divididos, mas pelo contrário, erigiam desafios à leitura infantil e exigiam cumplicidade na decifração de significados mais profundos. Mas, ao mesmo tempo, foram capazes de criar enredos empolgantes e personagens atraentes.
Naquele tempo, sem a concorrência de outras tecnologias mais visuais e eletrônicas, as crianças desenvolviam muito cedo o fôlego de leitura que lhes permitia mergulhar nessas obras, logo que se alfabetizavam.
Hoje, provavelmente, os primeiros passos por esse território serão mais firmes se acompanhados por um adulto que leia junto e comente – ou a partir de leituras em voz alta ou em leituras paralelas que se reúnam depois numa conversa sobre um episódio lido. Em ambos os casos, será uma experiência deliciosa e enriquecedora para as duas partes.

Fonte: Revista Carta Fundamental, n. 35 (Fevereiro/2012)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Contação de história na Biblioteca

Veja as fotos da contação de histórias  "O jardim das cores" que a Cia TPK Produções Artísticas contou para as crianças na Biblioteca no dia 19/10/11. Esta atividade faz parte da Estação Leitura.