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sábado, 13 de fevereiro de 2016

Ler nos torna mais felizes

Os leitores estão mais contentes e satisfeitos que os não leitores, de modo geral são menos agressivos e mais otimistas, diz estudo

A leitura nos torna mais felizes e nos ajuda a enfrentar melhor a nossa existência. Os leitores vivem mais contentes e satisfeitos do que os não leitores, e são, em geral, menos agressivos e mais otimistas”. A afirmação é dos responsáveis por uma análise efetuada recentemente pela Universidade de Roma III a partir de entrevistas com 1.100 pessoas. Aplicando índices como o da medição da felicidade de Vennhoven e escalas como a Diener para medir o grau de satisfação com a vida, os pesquisadores chegaram a essas conclusões, que demonstram, como afirma Nuccio Ordine, autor do manifesto A Utilidade do Inútil, que “alimentar o espírito pode ser tão importante quanto alimentar o corpo”. E que precisamos, bem mais do que se imagina, dessas experiências e conhecimentos que não se traduzem em benefícios econômicos.

Julio Cortázar, buscando livros em Paris.
Pierre Boulat (Getty)
Como nos sentimos e quais mudanças experimentamos ao mergulhar em uma história? Há um efeito transformador? Os protagonistas das ficções nos levam a que enxerguemos as nossas contradições e nossos desejos? Fazem com que nos recordemos de coisas essenciais, talvez esquecidas?

A ciência possui cada vez mais recursos para responder a essas perguntas. Artigos publicados em revistas especializadas expõem resultados de ressonâncias magnéticas que revelam a alta conectividade que se estabelece no sulco central do cérebro, região do motor sensorial primário, e no córtex temporal esquerdo, área associada à linguagem, enquanto lemos um livro e depois de acaba-lo.

O estresse se reduz e a inteligência emocional sai ganhando, assim como o desenvolvimento psicossocial, o autoconhecimento e o cultivo da empatia, segundo uma equipe de neurocientistas da Universidade de Emory, em Atlanta, que monitoraram as reações de 21 estudantes durante 19 dias seguidos. A leitura pode até mesmo alterar comportamentos por meio da identificação com os protagonistas das histórias lidas, defende Keith Oatley, romancista e professor de Psicologia Cognitiva da Universidade de Toronto.

É muito custoso, para nós, colocarmo-nos no lugar do outro no dia a dia, mas quantas vezes já não nos colocamos na pele de um personagem de romance? Criamos uma empatia com ele, e isso nos ajuda a compreender melhor os sinais emitidos pelos outros”, argumenta Antonella Fayer, psicóloga e coach especializada no desenvolvimento de liderança, para quem “as lições sobre dilemas morais e emocionais que encontramos na literatura são necessárias para todas as pessoas, e muito especialmente para líderes e políticos, que estão convencidos de que não têm tempo. Atuam, avaliam e fazem discursos, mas seria conveniente para eles mesmos se conseguissem parar um pouco e fazer leituras para melhorar a sua compreensão dos outros”, assinala Fayer, fazendo uma alusão às palavras de Alan Brew, ex-editor do Financial Times: “Ler os grandes autores faz de você uma pessoa mais bem preparada para tomar decisões criativas, interessantes e educadas”.

O convencimento quanto aos benefícios gerados pela leitura é o que move a School of Life, um centro londrino de biblioterapia que prescreve livros para ajudar na superação de conflitos (rupturas, disputas...). Como diz o filósofo Santiago Alba Rico, autor de Leer con niños (Ler com crianças), um ensaio que estimula no país o prazer de compartilhar histórias com seus filhos, a leitura, como a paixão, é um “vício virtuoso”. Quando conhecemos o bem que ela nos proporciona, não conseguimos deixar de praticá-la. Voltemo-nos, portanto, para a literatura, como convidava Cortázar, “como se vai aos encontros mais essenciais da existência, como se vai ao encontro do amor e às vezes da morte, sabendo que fazem parte de um todo indissolúvel e que um livro começa e termina muito antes e muito depois de sua primeira e de sua última página”.

Fonte: El País, Texto de Emma Rodríguez, 2 fev. 2016.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo tem nomes confirmados

“Livro é tão bom que deveria ser elogio. Tipo: ‘você é tão livro’”. A frase, de autoria desconhecida, é simples, direta e verdadeira. A leitura é uma das principais fontes de cultura e sabedoria. Por isso, não dá para perder a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo que, neste ano, acontece entre 22 e 31 de agosto no Pavilhão de Exposições do Anhembi, com ingresso até R$ 14.

Nesta edição, foi firmada uma parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Serviço Social do Comércio (SESC), sendo que este último fica responsável pela programação cultural dos espaços: Salão de Ideias, Espaço Imaginário, Anfiteatro e Bibliosesc.

São muitas as atrações. Dentre as confirmadas, está a presença do escritor João Ubaldo Ribeiro, que fala sobre o processo de criação literária da atriz/escritora Fernanda Torres no seu livro de estreia, “Fim”. Também participam da Bienal os escritores Xico Sá e Antônio Prata, em um bate-papo que discute o uso da ironia na arte da crônica.

No anfiteatro do espaço, o público pode aproveitar shows musicais, espetáculos de teatro, circo e dança e sessões de cinema. Na área musical, artistas foram associados a alguns dos arquétipos que povoam nosso imaginário. Dentre eles, “Zélia Duncan, a Amazona” e “Lirinha, o Trovado”.

Dentre as atrações internacionais, estão confirmadas as presenças do premiado autor norte-americano Harlan Coben, mestre dos romances de mistérios; Cassandra Clare, autora da série de livros best-seller “Os Instrumentos Mortais”; além de Ken Follet, Sally Gardner e muitos outros.

E não para por aí. De acordo com a presidente da CBL, Karine Pansa, a grande novidade deste ano é que o público poderá usar o cartão Vale-Cultura, do Governo Federal, para adquirir o ingresso para o evento. E ela deixa o recado: “a leitura tem o poder de transformar uma sociedade. Portanto, vale a pena prestigiar a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo”.

A programação completa você pode conferir no site da 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Anote na agenda!!!

O QUE
23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
QUANDO:
Dom 31/08
das 10:00 às 21:00
de 22 a 30/08
Segundas, Terças, Quartas, Quintas e Sextas das 09:00 às 22:00
Sábados e Domingos das 10:00 às 22:00

QUANTO
Sexta, sábado e domingo: R$ 14 (inteira) e R$ 7 (meia-entrada) / Segunda, terça, quarta e quinta: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia-entrada)

ONDE
Pavilhão de Exposições do Anhembi
http://www.anhembi.com.br/
Avenida Olavo Fontoura, 1209
Santana - Norte
São Paulo

Fonte: Catraca Livre

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Poema de Ricardo Azevedo

Aula de leitura

A leitura é muito mais
do que decifrar palavras.
Quem quiser parar pra ver
pode até se surpreender:
vai ler nas folhas do chão,
se é outono ou se é verão;
nas ondas soltas do mar,
se é hora de navegar;
e no jeito da pessoa,
se trabalha ou se é à-toa;
na cara do lutador,
quando está sentindo dor;
vai ler na casa de alguém
o gosto que o dono tem;
e no pelo do cachorro,
se é melhor gritar socorro;
e na cinza da fumaça,
o tamanho da desgraça;
e no tom que sopra o vento,
se corre o barco ou vai lento;
também na cor da fruta,
e no cheiro da comida,
e no ronco do motor,
e nos dentes do cavalo,
e na pele da pessoa,
e no brilho do sorriso,
vai ler nas nuvens do céu,
vai ler na palma da mão,
vai ler até nas estrelas
e no som do coração.
Uma arte que dá medo
é a de ler um olhar,
pois os olhos têm segredos
difíceis de decifrar.

Ricardo Azevedo

sexta-feira, 29 de março de 2013

Hábito de ler está além dos livros, diz especialistas em leitura

Entrevistando Roger Chartier 

Um dos maiores especialistas em leitura do mundo, o francês Roger Chartier destaca que o hábito de ler está muito além dos livros impressos e defende que os governos têm papel importante na promoção de uma sociedade mais leitora. Em entrevista à Agência Brasil, o professor e historiador avaliou que os meios digitais ampliam as possibilidades de leitura, mas ressaltou que parte da sociedade ainda está excluída dessa realidade. “O analfabetismo pode ser o radical, o funcional ou o digital”, disse.

Uma pesquisa divulgada recentemente indicou que o brasileiro lê em média quatro livros por ano (a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada pelo Instituto Pró-Livro em abril). Podemos considerar essa quantidade grande ou pequena em relação a outros países?
ROGER CHARTIER: Em primeiro lugar, me parece que o ato de ler não se trata necessariamente de ler livros. Essas pesquisas que perguntam às pessoas se elas leem livros estão sempre ignorando que a leitura é muito mais do que ler livros. Basta ver em todos os comportamentos da sociedade que a leitura é uma prática fundamental e disseminada. Isso inclui a leitura dos livros, mas muita gente diz que não lê livros e de fato está lendo objetos impressos que poderiam ser considerados [jornais, revistas, revistas em quadrinhos, entre outras publicações]. Não devemos ser pessimistas, o que se deve pensar é que a prática da leitura é mais frequente, importante e necessária do que poderia indicar uma pesquisa sobre o número de livros lidos.

Hoje a leitura está em diferentes plataformas?
CHARTIER: Absolutamente, quando há a entrada no mundo digital abre-se uma possibilidade de leitura mais importante que antes. Não posso comparar imediatamente, mas nos últimos anos houve um recuo do número de livros lidos, mas não necessariamente porque as pessoas estão lendo pouco. É mais uma transformação das práticas culturais. É gente que tinha o costume de comprar e ler muitos livros e agora talvez gaste o mesmo dinheiro com outras formas de diversão.

A mesma pesquisa que trouxe a média de livro lidos pelos brasileiros aponta que a população prefere outras atividade à leitura, como ver televisão ou acessar a internet.
CHARTIER: Isso não seria próprio do brasileiro. Penso que em qualquer sociedade do mundo [a pesquisa] teria o mesmo resultado. Talvez com porcentagens diferentes. Uma pesquisa francesa do Ministério da Cultura mostrou que houve uma redistribuição dos gastos culturais para o teatro, o turismo, a viagem e o próprio meio digital.

Na sua avaliação, essa evolução tecnológica da leitura do impresso para os meios digitais tem o papel de ampliar ou reduzir o número de leitores?
CHARTIER: Representa uma possibilidade de leitura mais forte do que antes. Quantas vezes nós somos obrigados a preencher formulários para comprar algo, ler e-mails. Tudo isso está num mundo digital que é construído pela leitura e a escrita. Mas também há fronteiras, não se pode pensar que cada um tem um acesso imediato [ao meio digital]. É totalmente um mundo que impõe mais leitura e escrita. Por outro lado, é um mundo onde a leitura tradicional dos textos que são considerados livros, de ver uma obra que tem uma coerência, uma singularidade, aqui [nos meios digitais] se confronta com uma prática de leitura que é mais descontínua. A percepção da obra intelectual ou estética no mundo digital é um processo muito mais complicado porque há fragmentos e trechos de textos aparecendo na tela.

Na sua opinião, a responsabilidade de promover o hábito da leitura em uma sociedade é da escola?
CHARTIER: Os sociólogos mostram que, evidentemente, a escola pode corrigir desigualdades que nascem na sociedade mesmo [para o acesso à leitura]. Mas ao mesmo tempo a escola reflete as desigualdades de uma sociedade. Então me parece que, também, é um desafio fundamental que as crianças possam ter incorporados instrumentos de relação com a cultura escrita e que essa desigualdade social deveria ser considerada e corrigida pela escola que normalmente pode dar aos que estão desprovidos os instrumento de conhecimento ou de compreensão da cultura escrita. É uma relação complexa entre a escola e o mundo social. E é claro que a escola não pode fazer tudo.

Esse é um papel também dos governos?
CHARTIER: Os governos têm um papel múltiplo. Ele pode ajudar por meio de campanhas de incentivo à leitura, de recursos às famílias mais desprovidas de capital cultural e pode ajudar pela atenção ao sistema escolar. São três maneira de interação que me parecem fundamentais.

No Brasil ainda temos quase 14 milhões de analfabetos e boa parte da população tem pouco domínio da leitura e escrita – são as pessoas consideradas analfabetas funcionais. Isso não é um entrave ao estímulo da leitura?
CHARTIER: É preciso diferenciar o analfabetismo radical, que é quando a pessoa está realmente fora da possibilidade de ler e escrever da outra forma que seria uma dificuldade para uma leitura. Há ainda uma outra forma de analfabetismo que seria da historialidade no mundo digital, uma nova fronteira entre os que estão dentro desse mundo e outros que, por razões econômicas e culturais, ficam de fora. O conceito de analfabetismo pode ser o radical, o funcional ou o digital. Cada um precisa de uma forma de aculturação, de pedagogia e didática diferente, mas os três também são tarefas importantes não só para os governos, mas para a sociedade inteira.

Na sua avaliação, a exclusão dos meios digitais poderia ser considerada uma nova forma de analfabetismo?
CHARTIER: Me parece que isso é importante e há uma ilusão que vem de quem escreve sobre o mundo digital, porque já está nele e pensa que a sociedade inteira está digitalizada, mas não é o caso. Evidente há muitos obstáculos e fronteiras para entrar nesse mundo. Começando pela própria compra dos instrumentos e terminando com a capacidade de fazer um bom uso dessas novas técnicas. Essa é uma outra tarefa dada à escola de permitir a aprendizagem dessa nova técnica, mas não somente de aprender a ler e escrever, mas como fazer isso na tela do computador.

Fonte: Texto de Amanda Cieglinski, Agência Brasil.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Livros e leitura

Belíssimo curta-metragem sobre livros e leitura. Ele explora o mundo de fantasia e de mistério que se encontra em cada livro. Confiram, é encantador.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O importante sobre a Leitura


"Acho que a leitura é uma das melhores coisas que a gente tem na vida, mas tem de ser num campo de liberdade intelectual – cada um resolve o que acha melhor. O importante é adquirir o hábito da leitura, não importa com quais livros, porque, depois de o hábito estar enraizado, vem a seletividade por si mesma. E cada um vai escolher se gosta de clássicos, de romances policiais – depende da vontade de cada um. Não se pode dizer “Você tem de ler determinados livros”. O máximo que se pode dizer é: “Eu achei esse livro muito bom e acho que você teria prazer em lê-lo” ou então “Eu li esse livro e achei que a leitura é uma perda de tempo, mas não é pecado gostar”. Não pode haver um preconceito de ler só um determinado tipo de livro. Para dar um exemplo extremo, uma pessoa pode gostar de ler Os Sermões do Padre Vieira e de repente interromper essa leitura para pegar um livro da Agatha Christie. Não vejo nada de mau nisso. O importante é adquirir o hábito da leitura e ir apurando por si mesmo a escolha do que ler."

Fonte: José Mindlin, em entrevista ao Jornal do Band, Ilustração de Deborah Melmon

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O livro certo para a pessoa certa

Indicação de amigos, professores e até mesmo dar um livro de presente são alguns bons caminhos para criar o gosto pela leitura.

O cenário atual da literatura no Brasil não é dos mais favoráveis, a julgar pela última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, levantada pelo Instituto Pró-Livro. O estudo, que foi publicado em março deste ano estima que apenas metade da população brasileira lê, e os que leem não consomem mais do que dois livros inteiros por ano, aumentando décimos de uma média que, historicamente, sempre foi baixa.
Porém, alguns dados complementares da pesquisa guardam em si pequenas esperanças de reversão do quadro a longo ou, quem sabe, curto prazo. Por exemplo, a falta de gosto pela leitura não é um empecilho, já que 62% dos entrevistados dizem gostar pelo menos um pouco de ler. E embora 87% dos que não leem afirmem nunca ter ganhado um livro, 88% dos que ganharam garantem a importância do presente para despertar o interesse por ler.
O valor de um livro presenteado, portanto, pode ser maior do que se supõe. É no que acredita o comerciante Cássio Busetto, 36 anos. “Eu sempre parto do princípio de que se alguém não gosta de ler é porque nunca foi apresentado aos livros certos. E por livro certo me refiro aos livros de qualidade e também do interesse da pessoa, que possam trazer conhecimento ou uma visão de mundo interessante.” Busetto tem o costume de dar livros de presente para as pessoas quando sabe que há um mínimo interesse pela literatura, mas é criterioso. “Procuro dar um livro que combine um pouco o gosto dela com o meu, para não presentear com algo que eu considero de mau gosto. Quando a pessoa não lê, mas tem algum interesse, procuro dar algo mais leve e agradável, um entretenimento que possa levar a leituras mais densas.”
Hillé Puonto, pseudônimo da anônima autora do blog Manual Prático de Bons Modos em Livrarias, já ajudou muita gente a encontrar esse presente, e afirma: “O que mais percebo entre as pessoas que vão à livraria atrás de um livro como forma de presente é a necessidade de se comunicar com o presenteado. Há muitas que gostam de compartilhar experiências. Eu, por exemplo, adoro presentear meus amigos com livros que tenham, de alguma forma, representado algo para mim.”
Quem recebe o presente confirma as opiniões acima. O mestrando em estudos literários da Universidade Federal do Paraná, Arthur Tertuliano, 25 anos, ganha quase sempre um livro como presente, e diz que o mimo desperta seu interesse. “Às vezes, fico muito curioso com o que a pessoa pode estar querendo dizer com ‘este livro é a sua cara’, ou dou prioridade para lê-lo quando eu sei que ela está ansiosa para comentar sobre ele”, conta, citando como exemplo o livro Duna, de Frank Hebert, que ganhou de um amigo. “Estou lendo este não só porque a dedicatória é excelente, mas porque sei que meu amigo gosta bastante do livro e gostaria de comentá-lo comigo.”

Indicação valiosa
Esse compartilhamento de experiências no ato de presentear é outro fator de peso para criar leitores. A pesquisa aponta que o regalo representa 21% do acesso a livros e a indicação das pessoas é o terceiro maior fator de influência na hora de escolher um livro para ler, ficando atrás do título do livro e do tema. “Eu tenho um amigo que costuma pensar bastante nos presentes e, há três anos, os livros que ganho dele de aniversário estão entre os melhores que recebo”, comenta Tertuliano, concordando que uma boa indicação faz toda a diferença: “você pode dar algo no estilo do que a pessoa gosta, apresentando algo de que ela ouviu falar, mas com que nunca teve contato direto, ou mesmo abrindo seus horizontes em algum sentido.”
E a principal indicação acontece na sala de aula: 45% dos entrevistados que leem garantem que foi o professor que os influenciou ao hábito, mais do que a mãe (43%) e o pai (17%). O professor de ensino médio e ex-livreiro das Livrarias Curitiba, Claudecir Rocha, 32 anos, acredita que é só uma questão de fisgar o potencial leitor pelo título certo. “É preciso indicar algo agradável antes de apresentar o que eles precisam estudar. Se um aluno de ensino médio tiver de ler só Dom Casmurro, ele nunca mais vai ler Machado de Assis na vida, mas um conto do Machado já é mais apetecível”, afirma, e completa contando sua própria experiência: “li com meus alunos o conto ‘Feliz Ano Novo’, do Rubem Fonseca, e agora eles adoram o escritor. É só uma questão de despertar a curiosidade, e a pessoa nunca mais deixa de ler.”

Fonte: Gazeta do Povo, Texto de Yuri Al'Hanati

terça-feira, 14 de agosto de 2012

4 maneiras de turbinar a leitura

Um livro interessante pode se tornar ainda mais interessante. Alias, não apenas os livros: qualquer coisa pode se tornar ainda mais interessante quando nos informamos mais sobre ela. Novas informações mudam a visão que tínhamos de certos pontos, esclarecem o que estava duvidoso, tornam as situações ainda mais nítidas. Quando estamos apaixonados (ainda estou falando de livros, juro), essa busca acontece naturalmente. Podemos fazer isso antes, durante ou depois da leitura. Ou da releitura.

1.Conhecer a biografia do autor

Livros não surgem do nada. Mesmo quando muito fantasiosos, eles revelam um pouco do autor, do que ele estava vivendo quando escreveu, que tipo de conhecimentos usou na obra. J.R.R. Tolkien, autor da saga Senhor dos Anéis, era filólogo, o que explica como cada povo tinha sua língua e até canções. Muitas das personagens marcantes de Fiódor Dostoiévski foram inspiradas em mulheres com quem ele convivia. O que Franz Kafka teria vivido para fazer obras onde o sujeito se vê acuado diante de situações desconhecidas? São essas questões e muitas outras que uma biografia pode nos responder.

2. Saber em que contexto histórico e literário a obra foi escrita

Mesmo uma história de amor, que parece algo tão universal, é diferente se levarmos em conta que período e que lugar aconteceu. Cada época possui maneiras diferentes de conceber o casamento, o que homens e mulheres podem fazer quando estão apaixonados ou até mesmo se é preciso estar apaixonado pra casar. Os livros escritos numa época revelam os anseios e costumes de cada época – por isso conhecer a literatura nos revela o que há de inédito no livro e no que ele conversa com o seu período.

3. Procurar as referências citadas pelo livro

É raro um livro falar inteiramente de coisas inventadas pelo autor. Os livros nos revelam geografias, como as descrições que Charles Dickens faz das ruas de Paris; os personagens e as coisas que eles fazem nos mostram novas profissões e hobbies. Você pode se interessar por estudar iluminuras depois que leu O nome da rosa – tudo porque os monges do livro se dedicavam a isso. E assim por diante. Quando é um livro baseado em personagens reais, podemos procurá-los também, e com isso descobrir outras histórias interessantes. 

4. Descobrir diferentes visões da obra

Livros famosos possuem várias edições, e cada edição pode ter um tradutor diferente, ilustrações, prefácios, notas de rodapé, dados biográficos. Amantes de um determinado livro podem procurar várias edições dele por aí só pra comparar e guardar. Existe também a possibilidade encontrar peças de teatro, filmes, livros, desenhos, obras de arte. Conhecer essas versões nos permite saber que impacto o mesmo livro teve sobre outros leitores, que pontos lhes chamaram a atenção. Diante de uma adaptação, pode ser que você discorde ou que abrace uma nova visão – de qualquer maneira, sempre sairá enriquecido.

Fonte: Livros e Afins

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Com que livro eu vou?


Assim como existe o corte de calça jeans perfeito para cada quadril, há os livros ideais para cada um de nós – aquela combinação de certos temas e autores capaz de fazer bem, de um jeito muito particular, à nossa alma. Para encontrar tanto o visual quanto a biblioteca dos sonhos, só com tempo, tentativa e erro, autoconhecimento. Ninguém nasce estilosa ou se torna expert em sobreposições do dia para a noite. De igual forma, é impossível ter intimidade imediata com os grandes romancistas, os pensadores contemporâneos e modernos, os biógrafos e poetas mais ousados. O bom gosto requer treino. E esse treino pode ser dos mais deliciosos.

Talvez fique meio difícil acreditar no prazer dessa busca. Nos tempos de colégio, surgiu um bloqueio por causa da leitura obrigatória daquele clássico que parecia arrastada demais? Insista. A boa literatura mexe com tudo. Acalma e perturba. É um presente seu para você mesma, assim como aquela roupa bonita ou uma comida gostosa. Segundo Franz Kafka, “um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós”. E, se os títulos que caíram em sua mão ainda não provocaram uma ruptura interna, tente outro Machado. E outros Sabino, Stendhal, Sartre, Pessoa, Drummond… 

Fonte: Revista Gloss, edição 53, Texto de Sabrina Abreu

terça-feira, 12 de junho de 2012

Ricardo Azevedo declama "Bola de Gude" e "Aula de Leitura"

Neste vídeo, o escritor Ricardo Azevedo declama os poemas "Bola de Gude" e "Aula de Leitura", do livro 19 poemas desengonçados. O objetivo é mostrar como educadores podem utilizar a leitura de poesias como recurso para ampliar o repertório e desenvolver a oralidade das crianças desde a pré-escola.


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Retrato de uma leitura

O cartoon Portrait of a Small Boy Reading foi idealizado pelo cartunista americano Gluyas Williams durante o século XX. Em estilo preto-e-branco seu trabalho reflete imaginação e sabedoria. Nesse trabalho o Gluyas nos apresenta as diversas maneiras que um pequeno menino encontrou para se deliciar com seu livro.

Pra quem se interessou pelo seu trabalho, basta conferir o site dedicado ao autor.

E aí, se familiarizou com algumas destas posições?


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Quem aprende a ler sabe ler?

Ser alfabetizado e ser um leitor competente são duas coisas diferentes. No Canadá, que é um dos países com melhor nível de leitura no mundo, um estudo do Conselho Canadense de Aprendizagem (2008) revelou que um número alarmante de canadenses têm dificuldade para ler jornais, cotos e até cardápio de restaurante. O mesmo estudo prevê que cerca de metade da população canadense vai se debater com dificuldades de litura e escrita, por volta de 2020, se as coisas não mudarem.

A situação não é muito diferente em outros países; na verdade, tende a ser pior, e é por isso mesmo que no mundo todo estão surgindo e crescendo iniciativas e movimentos para que as famílias introduzam a palavra escrita na vida das crianças desde pequeninas, e façam algumas coisas para inspirar nelas o amor pela leitura.

A leitura em voz alta é um dos melhores meios de facilitar o domínio da palavra escrita pelas crianças, pelos jovens e pelos adultos. Diante de um texto complicado, uma boa leitura em voz alta ilumina o sentido, desmistifica a dificuldade e recupera a relação das palavras com sua origem oral, e o que antes era obscuro se torna mais familiar.

Fonte: Programa Ler é Preciso, do Instituto Ecofuturo 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Como escolher boa literatura para as crianças?

Buscando critérios para a escolha de livros.

Essa é a pergunta mais frequente que os pais me fazem e não gosto de respondê-la em abstrato, pois se cada criança é diferente, os pais também são, e cada pessoa tem seus gostos, suas perguntas, suas maneiras de ler... Isso sem falar nas idades, porque temos incluídos nesse rótulo que os adultos denominam, genericamente, "crianças", desde os bebês até os adolescentes.

Mas essas também são categorias abstratas, porque um bebê pode gostar dos animais, enquanto outro pode preferir flores, e uma menina de dez anos pode odiar poemas, que outra criança adora. O mesmo ocorre com os romances de aventura, ou os que falam da vida real. O mesmo com os monstros e com as fadas. Alguns gostam de contos, outros, de histórias em quadrinhos. Alguns querem muitas ilustrações, outros, letras pequenas. E isso sem falar dos momentos, porque há livros para ler à noite e outros para ler durante o dia. Há livros para chorar e outros para rir. Alguns são perfeitos para responder àquela pergunta que não sai da nossa cabeça, enquanto outros nos deixam um monte de novas perguntas. Às vezes, precisamos de uma resposta e, às vezes, precisamos de mais perguntas.

E por aí vai...

Então, não existe resposta?

Na verdade, não existe receita.

Ou talvez pudesse haver uma: para uma criança ler, só precisa saber ler.

Ler como? Ler o quê?


1. Ler para as crianças

Quem são e do que eles gostam. O que eles nos dizem todos os dias – e o mais importante: o que eles não nos dizem. O que os faz perder o sono e o que os faz sonhar. De que brincam e com que brincam, com que se divertem, o que os faz chorar. O que sentem com os livros que veem em casa, na biblioteca, na livraria, ou na sala de aula. Quais eles preferem. Eles podem ser totalmente distintos mesmo sendo gêmeos ou sentados numa mesma carteira. Nenhum especialista sabe o que você sabe sobre essa criança concreta que espera aquele livro em particular, em um momento preciso de sua vida. Confie na sua sabedoria instintiva. Seus próprios filhos são o seu primeiro texto de leitura.

2. Envolva as crianças 

Leve as crianças a bibliotecas públicas e livrarias. Leia com elas e acompanhe-as em seu processo de crescimento como leitores. Acredite na palavra da criança, mas ao mesmo tempo, ofereça ferramentas para que possa ir educando os seus critérios. Dê liberdade de escolha, mas ofereça, também, a riqueza de sua experiência como leitor adulto. E não queira acertar sempre. Ler é também equivocar-se.

3. Busque assessoria

O campo da literatura infantil é enorme. Muitos autores, ilustradores, gêneros e tendências que não conhecemos quando éramos crianças têm enriquecido enormemente as opções de leitura. Não fique limitado ao que você leu na infância. Aproveite as crianças para descobrir novas obras e não pretenda conhecer tudo. Busque um livreiro ou um bibliotecário que conheça literatura infantil. Você vai se surpreender com as descobertas e encontrará livros, não só para ler com seus filhos, mas também para você.

Quando você for ler literatura para uma criança, deixe-se tocar pela linguagem cifrada e misteriosa dos livros. Todo o resto virá depois.

Fonte: Texto de Yolanda Reyes, Revista Digital Emilia (adaptado)

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Sempre é tempo de ler

Gente grande tem mil desculpas para deixar a leitura de lado. Facilitar o acesso aos livros é fundamental para conquistar esse público

Conduzir uma criança ao prazeroso universo da leitura nem sempre é uma tarefa simples. Mas também não é tão difícil assim. Afinal, tempo livre e imaginação solta - características de toda infância saudável - são tremendos facilitadores. Bem mais complicado é transformar em leitor um adulto que chegou a essa fase da vida sem ter descoberto o prazer dos livros. Missão espinhosa? Sem dúvida. Mas não é impossível.
Mais do que a possibilidade de se desligar do mundo real e embarcar no enredo de uma bela obra literária, é necessário dar ao adulto a dimensão de que ler é uma experiência de múltiplas faces: ela pode mudar a vida dele e ajudá-lo em conquistas palpáveis, seja o ingresso numa boa universidade ou um simples bate-papo, mais animado e inteligente, na mesa de um bar. Também é preciso facilitar ao máximo o acesso dele ao livro, pois a vida adulta geralmente pressupõe trabalho, falta de tempo, cansaço e pouca disposição para qualquer assunto que não seja "urgente".
O segredo é transformar esses supostos impedimentos em motivos para colocar a leitura na pauta do dia a dia. Ler pode ser, por exemplo, o jeito mais divertido de encurtar o trajeto entre a casa e o trabalho, ou de enfrentar uma longa fila no banco. E, quanto mais próximos os livros estiverem, melhor. Tanto faz se a biblioteca fica numa casa da vizinhança, no caminho para o serviço ou no próprio ambiente de trabalho.


Ler é importante porque...

- Na fase adulta, a leitura de textos mais ricos e de narrativas complexas amplia o vocabulário, desenvolve ainda mais a capacidade de reflexão e interpretação e dinamiza o raciocínio lógico

- Os livros proporcionam uma “viagem” por mundos desconhecidos, reais ou imaginários, alargando horizontes e elevando os níveis de conhecimento e cultura geral.

Fonte: Texto de Bia Costa, Revista Nova Escola, edição especial n. 18

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A Bíblia é o livro que mais influencia a vida do brasileiro, afirma pesquisa

Conteúdo religioso predomina na preferência dos leitores

A Bíblia é o livro que mais influencia a vida do brasileiro, afirma pesquisa.
 
Não é segredo para ninguém que a Bíblia é o livro mais vendido de todos os tempos. E no Brasil, sua produção cresce a cada ano.

Agora, de acordo com a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, feita pelo Instituto Pró-Livro e divulgada esta semana, é possível provar que ela é também a obra mais influente. A pergunta feita pela pesquisa a milhares de leitores do país foi: “Qual é o livro que mais marcou você?”

A Bíblia voltou a aparecer em primeiro lugar na preferência dos leitores. Ela manteve sua posição do último estudo deste tipo, feito em 2007.

Os livros de conteúdo religioso aparecem com destaque. “A Cabana”, de William Paul Young, ocupa o segundo lugar, e logo em seguida vem “Ágape”, do Padre Marcelo Rossi, um dos livros mais vendidos deste século. “Violetas na Janela”, psicografado por Vera Lúcia M. de Carvalho, ficou na nona posição.

O “Sítio do Picapau Amarelo”, de Monteiro Lobato, estava em segundo na pesquisa de 2007 e aparece em quarto lugar em 2011. A lista mescla obras nacionais e estrangeiras, incluindo desde clássicos como “O Pequeno Príncipe”, de Antoine Saint-Exupéry e “Dom Casmurro”, de Machado de Assis até fenômenos de venda recentes como “Crepúsculo”, de Stephenie Meyer, “Harry Potter”, de J.K. Rowling e ‘Código Da Vinci’, de Dan Brown.

A lista com os 25 livros considerados “mais marcantes” tem várias histórias infantis de contos de fadas “Os Três Porquinhos”, “Branca de Neve”, “Chapeuzinho Vermelho” e “Cinderela”.

Além da Bíblia, temas espirituais/religiosos estão presentes em obras tão distintas quanto ‘O Alquimista’, de Paulo Coelho, ‘Bom dia, Espírito Santo’, de Benny Hinn
, ‘O Segredo’, de Rhonda Byrne e ‘O Monge e o Executivo’, de James C. Hunter.

Segundo a pesquisa, atualizada a cada cinco anos, o autor brasileiro mais influente é Monteiro Lobato. Em comparação com a última pesquisa, sete obras são novas, ou seja, foram publicadas nos últimos cinco anos.

Fonte: Gospel Prime 30/03/2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

Ler é conversar consigo para melhor conversar com os outros.

Entrevistando Fabrício Carpinejar

Poeta, cronista, jornalista e professor, Fabrício Carpinejar (junção dos sobrenomes da mãe, Carpi, e do pai, Nejar) fala da leitura em um tom poético e criativo e diz que a estante não tem portas justamente para que as pessoas possam pegar os livros sem cerimônia. Para ele, quando o livro for tão importante quanto um domingo, com certeza os níveis de leitura no Brasil serão muito mais elevados.
Em sua opinião, qual é a importância da leitura na vida das pessoas?
FABRÍCIO CARPINEJAR A leitura não nos empresta somente palavras, nos empresta silêncio. Quem não lê dificilmente aprende a ficar quieto, aceitando a solidão como parte do pensamento. Ler é conversar consigo para melhor conversar com os outros. É organizar a experiência. Todo o turbilhão de fatos, lembranças, sequência de nossa vida pode ficar solto sem uma literatura que o organize. Não teríamos hierarquia, ordem, força nas idéias. Seria um caos sensitivo.
Qual é o papel da família na formação dos leitores?
CARPINEJAR A tarefa de casa não precisava existir na escola, é da família. O livro sempre foi um elo para entender meus pais. Deixavam cartas dentro das obras, trechos sublinhados. O livro é a toalha de mesa do café da manhã, do almoço e da janta. Objeto acessível, que não era endeusado. Muitas vezes, os pais criam bibliotecas para a criança pedir licença para mexer. Biblioteca tem que ter a naturalidade de nosso braço. É puxar de cima e amar. Assim como o hábito de contar histórias seduz a criança. É um teatro que ela dispõe por alguns minutos para ouvir a voz paterna e materna. Depois, eles vão procurar a voz dos pais nos livros e vão encontrar a sua. O livro fica em nossa vida quando emoldurado de encontros afetuosos. Todo jovem tem uma trilha sonora, eu tenho uma biblioteca para ouvir e guardar minhas mais fortes recordações. A escrita pode ser tão atraente quanto à música. Está esperando bons intérpretes.

Você acha que é possível despertar o interesse pela leitura em pessoas mais velhas, tardiamente alfabetizadas, os chamados neoleitores? Que ações recomenda nesse sentido?
CARPINEJAR Diante da solenidade da leitura, se a criança pede - infelizmente - licença para ler, o adulto tardiamente alfabetizado é obrigado a pedir desculpa. Ele lê com culpa, com medo de errar, de se envergonhar por não ter feito isso antes. O trabalho é retirar a carga de sacrifício e pesar, de vitimização. Cada um tem seu ritmo e sua mensagem. Indicaria o uso da vida cotidiana e o emprego da oralidade criativa e alegre para os neoleitores. Cantar, contar histórias, redigir cartas para família, preencher pedidos de emprego. Ler a vida para ler um livro, para ler depois o livro de sua vida. Outra coisa: somos analfabetos perante os nossos próprios sentimentos. Ninguém é culto o suficiente para lidar com o milagre vulnerável da pele. Diante da paixão, somos analfabetos e vamos soletrar o nome da amada. Diante da dor, somos analfabetos e vamos repetir as tristezas até acomodá-las. Ninguém nunca está atrasado para se revelar.

O brasileiro ainda lê pouco. Para você, qual a razão disso? O que pode ser feito para melhorar a situação?
CARPINEJAR Lê pouco porque não entende a leitura como uma escolha, mas como uma obrigação. E vamos adiar o que não escolhemos. O livro tem de ser muito mais familiar do que a gente costuma ligar, manejar. Tem de ser algo mais acessível. A gente ainda trabalha o livro como estudo, não como prazer. Temos que estudar mais. Então ler mais é estudar mais, é se preparar mais. O livro é justamente o contrário também. É como jogar futebol, vôlei. É de uma certa forma se descontrair mais, conversar mais, se alegrar mais. Eu não vejo um produto tão lúdico e tão aberto a essas referências referentes à imaginação. É óbvio que o livro é visto como trabalho. Eu acho que o livro é um jogo. A partir disso, um jogo de idéias, assim como os socráticos e os filósofos gregos se divertiam na argumentação, assim como os repentistas se divertem procurando o riso pelas palavras, assim como os trovadores do RS se divertem procurando a bravata, o chiste. É o modo como a gente lida ainda com a cultura. A gente lida como resíduo de um sistema de trabalho. Ela não está inserida ou enquadrada num contexto de contentamento e de final de semana. Quando o livro for tão importante quanto um domingo, com certeza os níveis de leitura no Brasil serão muito mais elevados.
Se você quer conhecer mais sobre este escritor acesse o site www.carpinejar.com.br ou o blog: http://fabriciocarpinejar.blogger.com.br

Fonte: Portal do Professor, edição 21

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Leitura: você faz a diferença


"Na vida de cada leitor existiu, quando
criança, um adulto que o introduziu no 
mundo dos livros"

A escrita, os livros e a leitura estão presentes em várias expressões que enchem nossa boca e nossos ouvidos. Quem é que nunca ouviu a frase “o homem que vale mais”? Ou que gostaria que sua vida ou a de alguém fosse um livro aberto? E qual mãe, depois do almoço de domingo, não tem vontade de perguntar a todos da família onde está escrito que cozinhar e lavar pratos é tarefa somente de mulheres? Às expressões acima somam-se tantas outras... Puxe pela memória. Você vai se lembrar! Em todas elas, as palavras leitura, escrita e livros têm sentido positivo. Atestam e passam recibo do valor de uma pessoa, da transparência e inteligibilidade de um processo, da forma escrita como determinadora ou, pelo menos, de influenciadora de normas e comportamentos. No entanto, ouvimos a todo momento dizer que o brasileiro lê pouco. E por que um povo que em tese não gosta de ler atribuiria tanto valor à leitura a ponto de fazer dela e dos livros metáfora de valores construtivos? Talvez a história não seja bem assim e a questão não esteja na quantidade de romances, ficções e aventuras consumidos anualmente.
Pesquisas recentes sugerem que no Brasil se , sim. Só que não os autores que deveriam ser os mais lidos e os mais apreciados. Sobre esse assunto, consulte o site da Universidade de Campinas (www.unicamp.br/iel/memoria). Agora tente recuperar a sua própria história de leitor. O que você realmente gosta de ler em suas horas vagas? Como começou a apreciar esse tipo de literatura? Qual o primeiro livro lido por você? Lembra-se de como esse exemplar chegou a suas mãos? As primeiras leituras foram experiências agradáveis ou dolorosas? Na sua trajetória individual você encontrará pontos em comum com a de outras pessoas. Seria ótimo se todos pudessem compartilhar essas vivências, pois a história de leitura de cada um de nós pode coincidir em muitos pontos com a história da leitura no Brasil.Mas o mais importante é que encontraremos na vida de cada leitor, quando criança, um adulto afetivamente próximo a ele que era emocional e intelectualmente ligado aos livros. Foi provavelmente essa pessoa que iniciou o jovem no mundo da leitura.

Fonte: Revista Nova Escola, n. 168, Texto de Marisa Lajolo*

*Marisa Lajolo é professora de literatura na Unicamp. É autora, entre outros títulos, de Monteiro Lobato: um brasileiro sobre medida (ed. Moderna)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Especialistas defendem que pais leiam para filhos a partir dos 6 meses, porque melhora a cognição e o desempenho escolar

Livros com abas, que abrem janelas e são mais resistentes são
os ideais para os bebês pequenos / Foto: Simone Marinho
Simone Intrator

Ler ou não ler para o bebê, eis uma questão que David Dickinson, doutor em educação pela Universidade de Harvard, e Perri Klass, pediatra, escritora e professora de pediatria e jornalismo da Universidade de Nova York, garantem saber responder. Sim, deve-se ler e muito, a partir dos 6 meses de vida, mas sem deixar os olhinhos do neném arregalados com a maluquice de Hamlet ou as desgraças de Rei Lear. A recomendação dos super-especialistas é incluir, em meio à troca de fraldas, a mamadeiras, passeios e choros, o folhear diário das páginas de um livro apropriado para aquela faixa etária, cheio de cores e figuras (hoje não faltam opções nas prateleiras). Para eles, esta é a melhor forma de desenvolver a inteligência da criança e a sua linguagem oral e escrita, preparando-a para a alfabetização e aprimorando sua capacidade de aprender.

Que fique claro: a ideia não é transformar o bebê num minigênio. Os especialistas, que apresentaram pesquisas científicas na Bienal de São Paulo na semana passada provando como a leitura interfere no desenvolvimento cognitivo da criança, querem prazer e interação ao som da narrativa dos pais. Os benefícios desse ritual são insubstituíveis. Não adianta só conversar com a criança ou passear descrevendo as paisagens nem inventar aventuras. Tem que ler, mostrar formas e cores e fazer perguntas ao bebê o tempo todo, estimulando sua participação.

Dickinson e Perri vieram para cá a convite da ONG Instituto Alfa e Beto (IAB), em São Paulo, e abraçaram a iniciativa da criação de uma biblioteca para bebês e o lançamento de uma cartilha com dicas das técnicas de leitura mais adequadas para cada fase. O objetivo é tornar os livros mais acessíveis também às classes sociais mais baixas, porque Oliveira acredita que o ciclo vicioso da pobreza também passa pelo ciclo vicioso da transmissão da linguagem. O IAB também criou um catálogo com 600 títulos (sim, 600!, uma média de dois por semana, dos 6 meses aos 6 anos, cerca de 100 por cada faixa etária) para serem lidos antes do ingresso ao ensino fundamental. O objetivo não é listar os melhores livros, mas, sim, dar uma ideia para os pais dos tipos de publicação adequados para a idade de seus filhos.

- O texto escrito possui uma variedade de vocabulário e uma complexidade sintática que não é encontrada na linguagem oral, nem mesmo na fala informal de adultos com curso superior - explica o fundador do IAB, João Batista Oliveira, psicólogo com PhD em Educação. - Todos os estudos mostram que expor a criança desde cedo aos livros contribui para o desenvolvimento da linguagem e, consequentemente, para o seu sucesso escolar. A formação do hábito de leitura também é importante para que a criança se torne um ávido leitor, outro fator fortemente associado ao sucesso escolar.

Mas, para tranquilizar quem perdeu o primeiro bonde, Oliveira garante que nunca é tarde para começar. Só ressalta que, quanto antes o hábito fizer parte do dia a dia da criança, melhor:

- Além de desenvolver diversas competências ligadas à alfabetização e à linguagem, a leitura também fortalece o vínculo das crianças com os pais: eles gostam de ler com os pais porque gostam dos pais. Mas a leitura deve ser participativa. Um dos aspectos mais importantes é envolver a criança, desde cedo, no processo de escolha de livros. Pergunte sempre qual a criança prefere, deixe que ela manifeste seus interesses ou crie novos. A escolha leva ao compromisso - garante o fundador do IAB.

Pelas pesquisas americanas apresentadas, das 12.500 crianças que fizeram teste de vocabulário aos 5 anos, as de famílias mais pobres tinham quase um ano de atraso; as que já tinham hábito da leitura em família aos 3 anos aumentaram o vocabulário em pelo menos 2 meses; e visitas mensais à biblioteca aumentaram o vocabulário de todas elas em 2,5 meses. Essa riqueza no repertório vai se refletir no desempenho escolar e no comportamento social. "Crianças que se atrasam nas séries iniciais correm o risco de permanecerem atrasadas ao longo do processo escolar", definiu Perri em sua apresentação. Além disso, para a pediatra, "ler para os filhos desde cedo ajuda a criança a ver os livros como fonte de prazer e de informação".

O neurofisiologista Mario Fiorani, do laboratório de Fisiologia da Cognição do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ, com pós-doutorado no National Institutes of Mental Health do National Institutes of Health, nos EUA, não é, de forma alguma, contra o incentivo à leitura. Mas acredita que não é só a educação formal que molda as pessoas.

- Só as habilidades linguísticas não bastam, mas a leitura pode ampliar horizontes de forma inimaginável. Isso depende, porém, de senso crítico, que pode ser inato (natural do indivíduo) ou aprendido informalmente no convívio familiar. Caso contrário, a leitura pode produzir um leitor 'compulsivo', sem grandes ganhos.

Sobre o desenvolvimento da cognição, Fiorani diz que a leitura amplia o horizonte no campo da linguagem:

- Mas os aspectos cognitivos dependem de muitos outros fatores, tanto inatos quanto adquiridos. A leitura é um bom estímulo cognitivo para melhorar o conhecimento do mundo que nos cerca. Estimula a imaginação e o leitor pode parar para pensar no que está lendo quando quiser, o que permite uma melhor elaboração do conteúdo. Mas as pessoas podem desenvolver o hábito de leitura e aprimorá-lo em qualquer idade. O estímulo precoce só vai tornar tudo mais fácil. A leitura não é um fim mas, sim, um meio. O conhecimento é uma meta.

Fonte: O Globo

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Por que ler é fundamental?

Carla Caruso é escritora, pesquisadora e realiza projetos de capacitação de professores no Estado de São Paulo.

“A leitura da palavra é sempre precedida da leitura do mundo.” Paulo Freire

Afinal por que se afirma que é tão importante ler? Para responder a essa questão, vamos lembrar que o texto – seja de que natureza for – está sempre pronto a ser compreendido, decifrado e interpretado. O processo da leitura exige um esforço que garante uma compreensão ampliada do mundo, de nós mesmos e da nossa relação com o mundo.

Na Roma antiga, o verbo “ler” – do latim legere – além de ler, também podia significar “colher”, “recolher”, “espiar”, “reconhecer traços”, “tomar”, “roubar”. Para os romanos, então, ler era muito mais do que simplesmente reconhecer as palavras e frases dos outdoors de uma avenida, dos índices de desempregos noticiados nos jornais, do discurso político de um candidato à presidência da República, de um poema ou de um conto, de um romance ou de um filme.

Ler é compreender os discursos, mas também é completá-los, descobrindo o que neles não está claramente dito. Talvez “recolher” seja buscar as pistas que o texto tem, “espiar” seja distanciar-se um pouco e não de imediato aquilo que está sendo proposto, “tomar” e “roubar” talvez queira dizer estar prontos a captar, capturar, se apropriar daquilo que está escondido nas entrelinhas de um texto.

Um desfile de palavras vazias?

É assim que a leitura se torna criativa e produtiva, pela descoberta dos sentidos do texto e a atribuição de outros. Do contrário, ela se torna apenas assistir a um desfile de letras, palavras e frases vazias, diante de olhos tão passivos, quanto sonolentos.

O mundo simbólico se amplia diariamente. A maior parte dos fenômenos, seja de natureza política, econômica, social ou cultural, faz parte de um registro contínuo do homem. Também a reinvenção da realidade por meio dos textos literários, que constroem uma nova linguagem, nos dá a dimensão das emoções, sentimentos, críticas e vivências do homem, na sua busca de sentido para a existência. Nos contos, crônicas, romances, poemas, nos mais variados textos criados, há sempre um universo interior e exterior de pessoas que vivem ou viveram num determinado tempo e espaço. Ler os textos escritos e as diversas linguagens inerentes ao ser humano é ampliar o nosso próprio mundo simbólico, é desenvolver nossa capacidade de comunicar e criticar, enfim, é um ato contínuo de recriação e invenção.